COMUNICAÇÃO FACE A FACE: UMA TECNOLOGIA ESQUECIDA
Você acha que as pessoas realmente se comunicam nas empresas brasileiras? Na era tecnológica estamos bem servidos. Não faltam ferramentas corporativas como plataformas inteligentes, softwares, intranets, murais, aplicativos, tablets, smartphones, house organs (aquele jornal ou revista que recebemos no começo do mês), memorandos, circulares e as famosas caixas de sugestões que encontramos nos corredores corporativos. Em breve, a holografia invadirá os escritórios e estaremos postando mensagens em 4D.
Como se vê, há muitos anos as organizações brasileiras vêm utilizando diversos meios, canais e tecnologias com a finalidade de integrar seus colaboradores. No entanto, ao percorrer diversas organizações nacionais nos meus projetos de treinamento e gestão de comunicação, constato sempre a mesma realidade: a qualidade da comunicação entre os colaboradores das organizações nacionais não funciona eficazmente. Por que todo investimento que fizemos em novas tecnologias não está surtindo efeito?
Substituímos as circulares impressas pelas telas de computador. Encantados com as promessas da tecnologia, esquecemos da comunicação do cotidiano e da conversação face a face, que são as únicas que possibilitam aos interlocutores se olharem diretamente, trocarem ideias e compartilharem emoções, sem a mediação de qualquer teclado ou mouse.
As tecnologias à nossa disposição facilitam e aceleram o envio e o recebimento de mensagens entre os colaboradores. Tomamos decisões em frações de segundo graças às redes de comunicação digital. E, ao mesmo tempo que isso acontece, estamos perdendo contato uns com os outros. A mediação tecnológica está esfriando as relações humanas. Estamos perdendo a sensibilidade de um olhar, de um aperto de mão e de uma expressão corporal.
Nessa questão, Larkin advoga que a comunicação face a face, ao contrário das mensagens compartilhadas pelos suportes tecnológicos, ainda é o mais rico e eficaz sistema existente. A comunicação direta tem a capacidade de agregar um conjunto de informações verbais e não-verbais que enriquecem a troca de mensagens. Quando não nos permitimos vivenciar essa experiência, nos privamos daquele intercâmbio vivo e direto que enriquece as relações entre as pessoas e que caracteriza de forma tão singular a cultura brasileira.
Estamos entrando no piloto automático das novas tecnologias e ficando distantes de nossos colaboradores e parceiros. Com exceção daquelas reuniões obrigatórias, nas quais somos obrigados a deliberar algo juntos, os contatos diretos, face a face, estão cada vez mais raros nas corporações brasileiras. Gestores não conversam diretamente com gerentes, que evitam o pessoal do operacional, que por sua vez, com medo, não se abrem e compartilham suas experiências cotidianas com seus superiores.
Não importa a origem do fluxo da informação: da base ou do topo. Estamos perdendo conexão. Estamos escondidos atrás das tecnologias e, ao nos ocultar por trás delas, perdemos a oportunidade de uma integração mais efetiva que enriqueça nossos projetos profissionais e pessoais. É tempo de investir na mais importante das tecnologias: a humana; e de novamente encarar as pessoas face a face.
Por Marcos Gross (Instrutor H&B)
